Ele chega e me conta o quanto a vida vem sendo feliz depois que ele teve a sorte de encontrar um amor real, sem hostilidade, sem medo, sem aflição. Eu escuto quietinha, porque seria arriscado demais procurar palavras que não entregassem meu sentimento de angústia. Ele começa a mostrar fotos da namorada, e eu continuo quietinha dizendo pra mim mesma que deveria ser eu e ele naquelas fotos. Mesmo sabendo que eu tinha todas as chances do mundo de o ter feito meu, eu fiquei quietinha, guardando só pra mim todo aquele amor, todas as cartas pra ele, todos os planos surreais, e todos os sorrisos que ele fazia questão de me mostrar. E continuo o amando, até hoje, até pra todo o sempre, quietinha mesmo; seria arriscado demais tentar explicar o inexplicável.







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